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Nossa História

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KFK Historia

Eu Ouço Vozes – A História da KFK Webradio – A Rádio Que Tocou Idéias…
Luiz Carlos “Barata” Cichetto

Eu diria que a primeira coisa que lembro de ter escutado na minha vida foi o som do rádio. Não recordo de, antes das vozes emocionadas das rádio-novelas ter escutado outra coisa. Mesmo a também emocionada voz da minha mãe é uma lembrança posterior. E foram tantas essas vozes que hoje se misturam num burburinho esquizofrênico dentro da minha cabeça. De fato eu ouço vozes, nem sempre de pessoas mortas, mas algumas ainda vivas. Um burburinho que mistura as vozes de Silvio Santos e sua partner Maria Helena na Rádio Nacional de São Paulo com a de Zé Béttio e sua pantomima que misturava sons de burros, latas batendo e muita musica brega, “Joga água nele!”. Ouço vozes como a de Vicente Leporace que com seu “Trabuco vai dar um tiro nas noticias dos jornais”, como a de Gil Gomes que “ao final de mais um Dramas da Cidade, lhes diz… Bom dia!”, no melhor uso de reticências que alguém já fez na história das comunicações. E ouço ainda outras vozes, como a de Antonio Celso dando a noticia do assassinato de John Lennon na Bandeirantes FM, como a de Darcio Arruda na Difusora AM e como a de José Paulo de Andrade na Bandeirantes AM, que me acordava com o miado do gato e seu pulo, todos os dias para ir ao trabalho durante décadas. E ainda ouço a maravilhosa e impostada voz de Hélio Ribeiro, com sua filosofia de botequim com ares de Nietzsche, embalada por traduções simultâneas de musicas populares. E eu ouço vozes, muitas outras vozes, como a de Barros de Alencar e seu inglês com sotaque puramente nordestino, Ramos Calhelha, Ferreira Martins e até mesmo as vozes de locução esportiva de Fiori Giglotti e José Silvério. Vozes de cantores mortos, de locutores bêbados, de jornalistas comunistas e humoristas que perderam a graça. Ouço vozes, muitas vozes!

E mesmo longe do rádio, continuava escutando essas vozes. E as ouvia até mesmo dentro do escuro do cinema. E em filmes sempre me identificava com personagens ligados de alguma forma a elas. “Supersoul”, o personagem de Clevon Little em “Vanishing Point”, um radialista cego e negro, que era a “Voz da Liberdade” e de certa forma da consciência, de Kowalski, que fugia de algo pelas estradas americanas cheias de hippies motoqueiras nuas e fanáticos religiosos. E até mesmo em filmes até meio idiotas, como “Tchau Amor” estrelado por Antonio Fagundes em que o personagem é um radialista de sucesso que traça a gostosa filha do dono da rádio e cai em desgraça terminando por suicidar depois de transmitir da unidade móvel por toda cidade, uma declaração de amor a ela. O rádio e suas vozes misteriosas e tão reais quanto a minha…

E dentre as vozes que ainda ouço, das vozes que nunca calam dentro da minha cabeça, uma das mais importantes e emblemáticas foi a de Jaques, que nas madrugadas de uma rádio pertencente a igreja católica nos levava numa viagem do mundo do Rock Americano e Europeu ao mais baixo underground da cena paulistana da segunda metade dos anos 1970. “Kaleidoscópio” era escutado num rádio de pilhas, hora estrategicamente colocado na calçada, hora sob o travesseiro. E da meia noite as duas da manhã, todos os dias, Rock’n’Roll, poesia e outras formas de expressão, eram a únicas vozes existentes num mundo que já deixava de pertencer aos “jovens”. E ali ouvi também outras vozes, além de vocalistas de Rock, como David Byron e Ozzy Osbourne, eu ouvia as vozes de Valdir Zwestch que na época fabricava sonhos, Maytrea e Silvelena, Nano & Ge que fabricavam poesia, além de muitos outras E aquela voz macia, mas firme de Jaques Sobretudo Gersgorin ou apenas “Jaques Kaleidoscópio” ficou feito um fantasma esquizofrênico dentro da minha cabeça durante décadas, me soprando no ouvido o que eu tinha que fazer. Até que um dia resolvi escutar essa voz. E fiz.

Ainda nos anos 1970, antes das vozes do Kaleidoscópio, de posse de um gravador mono cheguei a montar fitas com programas de rádio. Era comum entre os amigos a troca de fitas cassete gravadas com musicas. Eram simplesmente musicas copiadas de discos de vinil ou até mesmo, para quem tinha a sofisticação de dois gravadores, outras fitas cassetes. Eram fitas de 60 ou 90 minutos que tinham no rotulo escrito os nomes à mão ou, mais sofisticadamente em máquinas de escrever. Mas as minhas tinham um toque diferente, pois eu gravava minha voz apresentando e até falando algo sobre a musica ou artista. No inicio os amigos riram e achavam esquisito aquilo, mas depois começaram a gostar da idéia e me pediam. Com o tempo, comprei um aparelho três-em-um que facilitava o trabalho e tinha entrada para dois microfones, o que dava um ar de sofisticação incrível ao meu projeto. Cheguei até a criar um nome, “Rádio K7”, inspirado nos prefixos das rádios comerciais e um logotipo tosco que era desenhado diretamente na caixinha da fita.

Mas, se até o inicio terceiro milênio ter um programa de rádio era uma coisa quase impossível, longe do alcance da maioria dos sonhadores, ter uma rádio então, era coisa de abastados grupos de comunicação que detinham o poder de vida e de morte sobre esses sonhos. Mas com o advento da Internet de banda larga e os consequentes menores custos de transmissão, aliado a programas muito mais simples de edição de áudio, começaram a surgir as primeiras estações de webradio. No Brasil, a primeira que tive contato foi com a “Rock Geral”, de Paulo Rogério, um micro-empresário que tinha uma enorme discoteca de Rock e uma paixão pela também incomensurável pela musica e que montara um servidor próprio dentro de seu escritório. E no fim do expediente, Paulo se punha a converter musicas, gravar locuções e vinhetas, num trabalho que exigia muito tempo de montagem e edição. Em 2001 conheci pessoalmente o Paulo o que propiciou que eu aprendesse um pouco sobre rádios em Internet. Criei o site da “Rock Geral” e ficamos amigos, até que ele desapareceu completamente, levando com ele seu sonho. E o meu.

Alguns anos depois, um ex-amigo, dono de uma obscura banda de Rock no interior de São Paulo, tinha sido convidado para participar de uma webradio e acabou me convencendo a levar o projeto de A Barata esse formato. Relutei um pouco, pois afinal naquele momento a luta por outras causas era árdua e as ferramentas, softwares de computador e todo o trabalho tendo que ser feito pelo apresentador não me agradava muito, mas no fim acabei aceitando, porque ainda ouvia aquelas vozes e elas me diziam o que fazer…. Durante mais de um mês briguei com o aprendizado dos programas de computador e gravei algumas dezenas de testes, sempre apagando o resultado, até que, marcada a “estréia” decidi não criar nada diferente, e simplesmente soltar a voz, deixando as palavras fluírem e a musica tocar, tudo no improviso, sem roteiros nem listas prontas. E, durante as sete semanas que durou o “Rádio Barata”, aquele antigo sonho parecia realizado. Até que, movido por uma mistura de ciúmes com prepotência, meu ex-amigo, encontrou uma desculpa discordando de um programa com temas românticos que apresentei e, como era o fiel escudeiro do dono da rádio, fui demitido por e-mail lacônico no dia seguinte. E jurei enterrar esse sonho de rádio. Não queria mais escutar vozes. Nem ser uma delas.

Menos de um mês depois fui convidado por uma figura misteriosa, que não divulga seu nome verdadeiro, origem nem nada, a apresentar um programa na sua recém criada rádio web. Ele tinha um blog de muito sucesso, desses de “download” de musicas. Relutei por medo de que pudesse acontecer o mesmo que na frustrante tentativa anterior, mas a figura me garantiu que eu teria liberdade total. Isto posto, passei timidamente a montar meus programas semanais, de duas horas de duração, que alcançavam, dentro do universo das rádios internet, uma audiência significativa alavancada pelo meu histórico dentro de um dos sites de Cultura Rock mais emblemático, e que, juntamente com o Whiplash, tinha se tornado uma referência na Internet, gerando inúmeros filhotes. Renascia então o “Rádio Barata”, programa semanal onde eu incluía poesia, entrevistas. E como sempre gostei de não ser apenas um coadjuvante, mas sempre participar ativamente de tudo, passei a colaborar com temas, idéias, criação de outros programas, músicas e até mesmo na construção do website da rádio, que até então se mantinha apenas com blog. Mas um ano e meio, 69 programas, depois, a fogueira de vaidades novamente foi acesa e depois da gravação de um programa em que nós dois participávamos com a “mediação” de outro colega, descontente porque sua voz não estava mais alta que a minha na gravação final, a misteriosa figura simplesmente deflagrou uma campanha difamatória contra mim entre os outros participantes da rádio, me deixando isolado. Como o poder gera amigos e quem está do outro lado é sempre inimigo, sentindo-me ostracizado, simplesmente me demiti no ar. E naquele momento estava decretado o fim do meu sonho de deixar de apenas ouvir vozes, de ser uma delas.

Ouço vozes, o tempo inteiro. E elas me ditam palavras e me dizem o que fazer… Então escrevo e preciso falar. Escrevo muito e falo demais. Preciso escrever e falar para que essas vozes me deixem em paz. É assim que me afasto de uma loucura bem maior, é assim que me afasto da angústia e do suicídio. São essas vozes que ouço que me fazem sonhar. E me fazem viver. E foi assim, ouvindo essas vozes que decidi que seria o momento de criar meu próprio projeto de rádio, ao menos na internet, já que as ferramentas eu tinha dominado e os custos eram bem acessíveis. E assim nasceu, ainda naquele final de ano de 2010, um de meus maiores projetos. E um dos meus maiores fracassos.

E quando falo em sucesso e em fracasso, não me atenho apenas a questão financeira, pois nunca atrelei meus projetos a lucros financeiros. O cineasta espanhol Fernando Trueba disse há um tempo atrás em uma entrevista, quando perguntado sobre o que era sucesso para ele, que “o sucesso é ir lá e fazer. Se você tem um sonho e o realiza, isso é um sucesso”. O “sucesso” financeiro e de glórias, seria apenas uma decorrência, ou não, da realização de um projeto. E o fracasso também não significa necessariamente um prejuízo financeiro, mas sim, no meu conceito e talvez na contramão da própria definição de Trueba, não apenas não fazer, mas simplesmente ver esse sucesso se transformar em fracasso porque ele não foi bem projetado, foi projetado em bases fracas, ou simplesmente como foi o caso da KFK Webradio, estar no momento errado e ter contado com as pessoas erradas. E pior que isso, perceber que o sucesso foi o que causou o próprio fracasso.

Antes de estabelecer os conceitos da KFK Webradio, e até mesmo antes de ter esse nome, eu havia escrito um texto falando sobre que era preciso alguém definir o que era a tal “radioweb”. Aquilo não era rádio, mas algo que, usando algumas bases do que se convencionou como rádio, usava nova linguagem, novas plataformas e meios. E de fato era uma coisa diferente, uma outra mídia. E da mesma forma que assistir um filme na televisão não é cinema, rádio na Internet não é, definitivamente rádio. Mas mesmo assim, pois era o mais parecido com meu projeto de rádio, e por ser a única forma que eu poderia fazer, sem depender de concessões e apoios financeiros inatingíveis, resolvi criar uma “webradio”. E como eu sempre ouvi vozes, achei de usar essas vozes na construção de algo que ia exatamente na mão inversa daquilo que se fazia. As rádios web são na imensa maioria, vitrolões tecnológicos e mesmo tendo alguns programas personalizados, seguem o sistema de tocador de musica. A maioria não tinha e ainda não tem personalidade, ou a tem demais, sendo apenas veículos pessoais de seus “proprietários”. Em tempo: o conceito de dono de uma rádio não se aplica a uma rádio web, pois não existe nada, nem estúdios, nem profissionais nem equipamentos. A propriedade quando muito se aplica ao computador onde o “dono” cria suas “playslists” ou ao domínio na Internet. E isso é bom e mal ao mesmo tempo, pois se por um lado, extingue de certa forma o conceito empresa do rádio, cria por outro um organismo acéfalo sem qualquer estrutura organizacional e sem o menor critério.

Pois então, ao estabelecer os critérios de criação e funcionamento da rádio, busquei primeiro opiniões e participação de pessoas, crente que com essas pessoas, cabeças pensantes e braços de trabalho, chegaríamos a um amalgama de desejos e sentimentos únicos. Comecei a errar ai. Algumas pessoas se comprometeram a participar, mas logo nos primeiros trabalhos pularam fora. A participação também envolvia custo financeiro e que, dividido estaria acessível a todos, por ser bem baixo. De novo errei e ainda tive que escutar que ninguém põe dinheiro no sonho alheio. A conversa de “sonho que se sonha só…” é apenas um blá-bla-blá inútil que na pratica não existe. Ou existe desde que o sonhador “principal” o torne realidade e depois os outros sonhadores passivos dividam o sucesso (ainda o termo “sucesso” como realização). Em outras palavras, o sucesso é assumido, desde que não dê trabalho nenhum. Não existe mais o compromisso com o coletivo e “comunidade” é apenas um nome pomposo para favela…

Durante quatro meses preparei o terreno, defini o estilo musical predominante, embora um tanto aberto, com poucas exceções e primando pela qualidade musical. Criei o nome, vinhetas, com a locução profissional, criei e produzi dezenas de programas. Mas o principal estavam nas intervenções, espécie de intervalos entre blocos de musicas e programas onde eram apresentados leituras de poesia, declarações de outros artistas e pensadores, história do rádio, áudio integral de filmes e desenhos animados e até hinos de clubes de futebol. E assim nasceram intervenções como: Almanaque KFK (aberturas de séries e desenhos animados) ; Cópia Infiel, Katarze, KFK FC, Poesia é Merda!, PQP – Puta Que Pariu!, Quer Um Queijo?, Renitências, Sessão Desenho, com áudios de episódios de desenhos animados, Sombras Sonoras, Sub-Versões, Tem Cigarro Aí? E outros. Quanto aos programas estavam, além do Rádio Barata que em determinado momento foi apresentado diariamente, Cinema Cego, que era o áudio integral de um longa metragem, Concertos Para a Juventude, Prisma, uma programação de um dia inteiro apenas dedicada a uma única banda, no caso o Pink Floyd, Rádio Liquida, Heróis do Brasil, Fusão Cinésica Essencial e outros. Alguns programas foram criados e entregues a produção e apresentação de outras pessoas, como foi o caso do Faixa 7, que apresentava sempre as faixas de numero sete de determinados artistas ou bandas. Além disso, foi aberto espaço a todos aqueles que se dispusessem a produzir e apresentar programas, com liberdade total de produção, chegando a existir 18 programas produzidos e apresentados por outras pessoas. E nesse ponto todos ouvíamos vozes. Vozes como a de Ricardo Alpendre, cantor e locutor profissional que gravara a maior parte das vinhetas, Anna Gonçalez, Agostinho Carvalho, Renato Pittas, Gisela Jardim, Marcelo Rocha, Raul e Ian Cichetto, Marcelo Diniz, Amyr Cantusio Junior, André Sachs, Antonio Canella, Renato Paiva, Caverna, Paulo Stekel, Bell Giraçol e Delma Mattos. Vozes… Vozes.

Baseado no anti-conceito:”interrogações, mutações, metamorfoses e um pouco de música sem rótulos”, criei e produzi programas nas vertentes mais diversas da musica de qualidade, sem buscando na pluralidade as bases que fizeram da KFK um projeto amplo dentro dos preceitos do rádio. Um dos destaques foi a exibição na integra e direta, num único dia, de “O Anel do Nibelungo” de Richard Wagner, com a duração de mais de 10 horas, algo que acredito inédito ou ao menos muito pouco feito em qualquer rádio no mundo. Outra criação que acredito histórica, ao menos dentro das webradios, foi a criação do programa “Deidades – Deus e o Diabo na Terra dos Bytes – ou Vai Dormir, Porra!”, onde eu, juntamente com o musico carioca Agostinho Carvalho, “vestíamos” os personagens de Deus e o Diabo e realizamos um “talkshow” anárquico e criativo, mesclando criticas musicais e sociais com um humor nonsense. O programa durou 25 edições semanais e foi efetivamente algo que marcou.

As entrevistas com músicos e artistas e geral, foi também um marco importante, sempre tratado com muita atenção. Programas como o Radio Barata e Heróis do Brasil apresentaram dezenas de entrevistas, ou melhor conversas, com artistas que tinham total liberdade de expor idéias e mostrar seus trabalhos. Muitos músicos de bandas pouco conhecidas do publico como Slippery, Psychotic Eyes, Paradise Inc, Imagery e Banda do Sol entre outros, passando pelas já bem conhecidas, como de bandas como Tomada, Cracker Blues, Uganga e Carro Bomba. Dentre esses conhecidos, aquela que mais foi reapresentada e comentada, foi um especial com Rolando Castello Junior, lendário baterista da banda Patrulha do Espaço, com quatro horas de duração. As conversas era gravadas via Skype e editadas apenas para a inserção das musicas dos artistas, sem nenhum corte.

Sempre levei a sério a missão que estabelecera para a KFK: “A Rádio Que Toca Idéias”, colocando a musica não como fator dominante da programação, mas como uma deflagradora de idéias, instigadora e contestadora e assim criando programas como o “Katarze” e o “Rádio Cortição”, cujos objetivos eram o de mesclar opiniões, sentimentos e principalmente idéias, num único espaço realmente coletivo.  Aliás, a chamada “participação coletiva” era o centro da criação da rádio e foi esse a razão do seu “fracasso”. Desde o principio, cooptei pessoas que acreditei ter a mesma linha de pensamento acreditando que pudessem de uma forma efetiva e prática participar dos destinos do projeto. A principio a maioria entendeu, mas em pouco tempo, um a um foram desistindo. A gota d’agua fatal foi efetivamente a participação financeira que muitos se propuseram e pouco a pouco foram desistindo, dando desculpas ou simplesmente desaparecendo. Financeiramente era impossível bancar sozinho aquele projeto e a desistência mês a mês de mais e mais pessoas, abriu um rombo enorme, a ponto de gerar uma divida imensa com a empresa que fornecia o “streaming”. Tentei ainda de todas as formas manter o projeto vivo, criando e oferecendo camisetas, abrindo possibilidade de participações de simpatizantes e até mesmo a possibilidade de colocar pequenos anúncios, sem qualquer resultado positivo. Num determinado momento, um professor universitário, de nome Ayrton Pinto Silva se sensibilizou com o projeto e se dispôs a colaborar financeiramente, mas, poucos meses depois, alegando problemas financeiros, também pulou fora. E no fim, é claro, não tinha como esse processo não causar rupturas até mesmo com amizades antigas e isso acabou acontecendo. Os antigos companheiros foram simplesmente silenciando, desaparecendo e eu fui ficando sozinho. Apenas escutando as antigas vozes solitárias dentro da minha cabeça.

Finalmente, em Setembro de 2012, um ano e meio depois, com a KFK Webradio arrastando-se, sem nenhum interesse em manter um zumbi devorando o que restava da minha “Vontade Indômita”, decidi encerrar definitivamente suas atividades. Não fazia sentido manter a KFK Webradio no ar tendo como audiência apenas pouquíssimos interessados. Não fazia sentido criar e manter a programação de forma solitária.

E assim, sem aviso, sem postagens em redes sociais, sem reclamações, nem lamentos, como bem gostam aqueles… A KFK Webradio deixou de existir, sem ao menos uma voz saudosa reclamasse ou lamentasse. Assim deixou de ser outra voz. A minha voz estava calada e as vozes dentro de mim também silenciaram. Não havia mais interrogações, mutações, metamorfoses e (nem) um pouco de musica sem rótulos. Não havia mais idéias a serem tocadas.

E por fim existe uma analise a respeito que é a seguinte: da mesma forma que as facilidades oferecidas pela tecnologia atual propiciaram o surgimento de um numero insuportavelmente alto de escritores e poetas, existindo quase em numero idêntico ao de leitores, o mesmo ocorre com as rádios em internet. É muito fácil e muito barato ser ter hoje uma rádio dessa forma, o que faz com que as pessoas as criem apenas para satisfazer seus egos. E acabam criando rádios que são escutados apenas por eles próprios. Com a popularização de sites como o Youtube e outros e a facilidade como se baixa musicas para os computadores, a “necessidade” de uma rádio, seja pelo conceito tradicional ou moderno simplesmente se esvaiu. No fim, da mesma forma que qualquer e todos se considera tanto escritor quanto jornalista, quanto produtor e “dono” de rádio. Todos os sistemas e práticas de produção artísticas foram banalizadas, se tornaram inócuas e inúteis. E uma coisa inócua e inútil é simplesmente desnecessária e inútil. Não percamos, pois mais tempo e dinheiro com tais desnecessidades e inutilidades.

Mas, agora, que eu continuo ouvindo vozes, isso continuo mesmo! Quem viver… Ouvirá!

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Forjados a Fogo… Renasce… A Fênix KFK

Sem nenhuma dúvida, o dia 27 de Janeiro de 2012 foi um dos dias mais tristes da minha vida. Depois de apenas 10 meses, morria o projeto KFK Webradio. A falta de participação das pessoas envolvidas e principalmente a falta de dinheiro para bancar os elevados custos de servidor de “Streaming” foram os principais motivos. Foram dias tensos e tristes os que se seguiram. Mas, quando eu tinha por perdida batalha, surge uma esperança de recompor a rádio e o sonho. E essa esperança atendia pelo nome de Ayrton Pinto da Silva, um professor com Rock e Cultura no sangue. Depois de horas e horas de conversa, a proposta que eu sempre sonhara: uma participação financeira e efetiva com o Projeto KFK Webradio. O professor arregaçou as mangas e deu uma aula sobre como devemos agir quando acreditamos em um projeto sincero e honesto como é este. E menos de 24 horas depois, menos de uma semana após eu ter enterrado um sonho, ele renasce, forte e soberbo, feito uma fênix que depois de queimada renasce mais forte. E também como na mitologia, capaz de carregar cargas muito mais pesadas. Mas juntos, porque juntos somos fortes. E a partir de uma equipe dedicada, que compreendo valor do trabalho e do sonho, certamente iremos alçando altos vôos. Porque pode o ser humano não ter sido feito para voar com asas, mas com certeza ele é feito para voar através do sonho, da musica e principalmente através união. Obrigado, Ayrton e também á Delma Mattos, Anna G. e que sejam bem vindos outros que quiserem voar conosco. Nas asas da liberdade, nas asas da KFK, onde ainda consideramos as idéias à prova de balas… E são essas as idéias que tocamos. E como bem lembrou o Ayrton, de um personagem de desenho animado: “Ao Infinito! E além!”.
Luiz Carlos Barata Cichetto, 4/02/2012

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Idéias São à Prova de Que Mesmo???

Idéias podem ser à prova de balas, mas não a prova de falta de dinheiro, compreensão e participação! Obrigado aos amigos, pouquíssimos, que participaram e à grande maioria de omissos e desinteressados, tenho apenas a falar: obrigado por mostrarem – eu queria mesmo estar enganado -, que coisas relacionadas à cultura não interessam mais, e que o egoísmo, a vaidade e a preguiça são o trinômio divino que rege a humanidade. E jamais escrevam bobagens nas redes sociais reclamando da falta de cultura. Deixem de ser hipócritas. Façam o seguinte: paguem 500, 1.000 reais para o show do Roger Waters… Ou do Belo, eu pouco me importo… E sejam felizes! Eu tentei, dei meu tempo, dinheiro, trabalho, criatividade e suor. Tentei criar um espaço onde as pessoas pudessem participar de forma ativa e criativa. Mas fiquei bradando no deserto feito um imbecil, sonhador… Sinto agora a falta de um órgão essencial, sinto a falta de mim mesmo… Prefiro matar agora meu sonho a deixar que anorexia o transforme numa massa disforce.  E quanto às minhas idéias, elas continuarão a brotar, continuarão a ser vomitadas… Mas apenas aprendo a lição. Mais uma lição de uma faculdade cujo único diploma é a certidão de óbito, a Faculdade da Vida: meu sonho, mesmo que possa envolver a humanidade, é apenas meu. E ninguém, vai mesmo compartilhar dele. Obrigado pela sua audiência! E descansem em paz!

Luiz Carlos Barata Cichetto
30/01/2012

    “Suas idéias sucumbiram à vocação de decorar estantes, pois é para isso que se investe nas idéias dos outros: para decorar nossas estantes pessoais. Mas geralmente não pagamos para entrar em guerra.” – Dr. André Bressan (Publicado no Facebook, a respeito).

“Declaração de Propósitos” da KFK Webradio:
“Estão abertas as portas da percepção, estão criados os caminhos e as formas. Os meios justificam os fins, e estes por si próprios se justificam. Sem rodeios, sem cavalos, sem nomes. Rótulos são para produtos, abjetivos para dicionários. Abrimos as porteiras para que estoure a boiada cega, surda e muda. Lágrimas são para covardes e hipócritas, risos para os tolos. A arte busca a liberdade e dela se alimenta, da necessidade nasce o artista mas não a puta. Da paixão nasce a vida, e da morte a mentira. Do desejo é que nasce o sonho e dele é que a vida se alimenta. Declaro neste momento, 1º de Abril de 2011, inaugurada a KFK Webradio: interrogações, mutações, metamorfoses e um pouco de música sem rótulos. “

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